Dicas de leitura:

 

Pessoal, por enquanto estamos abordando esse tema no blog, se alguém tiver novas dicas pode postar nos comentários também ok? Caso seja sobre outro tema, também é bem vindo!!

 

Smolka, Ana Luiza Bustamante.  A criança na fase inicial da escrita: a alfabetização como processo discursivo. São Paulo: Cortez, 2003. (Coleção Passando a Limpo).

 

Soares, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte, Autêntica, 2004.

Bagno, Marcos. Língua materna: letramento, variação e ensino. São Paulo: Parábola, 2002.

 

O texto em seguida é uma reflexão baseada na leitura do autor e referência citados acima, e é também uma concordância com o comentário de nossa última visitante. É verdade, devem ser respeitadas as mais variadas formas de expressão lingüística, mas como o professor pode fazer isso em sala de aula, apontando os evidentes ‘erros’ e valorizando a escrita social do aluno ao mesmo tempo? De acordo com o texto abordado a variação da norma culta em alguns casos “em nada prejudica a compreensão dos textos”. Algumas ‘regrinhas’ que precisam ser decoradas, incorporadas ao nosso domínio gramatical e lingüístico, às vezes só servem pra constar, pois sem a utilização delas a comunicação se dá da mesma forma clara e eficaz. O crime pedagógico a que Bagno se refere ao conjunto de técnicas que tornam o aluno capaz de decodificar a norma padrão e apreende-la, mas inativo no sentido de interpretação e reflexão sobre a leitura e a escrita. O motivo dessa inversão de valores é o mero reducionismo que sofre a nossa língua portuguesa, tornando o ensino nas escolas restrito apenas à norma e à gramática; “além de tornar claro também o uso que tem sido feito do conhecimento gramatical como instrumento de poder e dominação de um pequeno grupo sobre os demais da sociedade” (p. 51). O novo conceito de letramento que tem surgido entre os estudiosos da língua nos mostra que é precisa antes de tudo preparar o aluno para o desenvolvimento da compreensão da leitura e da escrita, e com sua prática posteriormente aprimorá-lo no uso da norma culta. O letramento é transcendental à alfabetização e por isso mesmo fundamental e primordial.

A variação lingüística em sala de aula

 

         O texto é bastante interessante, pois aborda a questão das diferentes linguagens usadas no mesmo contexto, no caso, na sala de aula; e como os professores enfrentam e devem lidar com as situações em que as variantes lingüísticas são consideradas ‘erros de português’.

         Na verdade, o questionamento é: existem erros de português, ou isso é somente uma forma preconceituosa de designar desvios da norma padrão? Quando ocorre na sala de aula o uso de diferentes formas de expressar a linguagem o professor deve estar preparado para agir de forma correta.

         Mostrar pro aluno que existe uma norma culta, que é considerada padrão e seguida como parâmetro, não significa dizer que ela seja a única forma possível de comunicação. Vetar outras formas de uso da língua principalmente em expressões orais seria negar o meio social do aluno.

         O professor deve identificar as diferenças de linguagens para os alunos e depois conscientiza-los das mais variadas formas uso da língua portuguesa. Dessa maneira o processo de ensino-aprendizagem não será prejudicado e a norma culta da língua portuguesa também não.

 

Referência:

 

Bortoni Ricardo, Stella Maris. Educação em língua materna: a sociolingüística na sala de aula. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. (Coleção Linguagem, volume 4).

O ensino da norma na escola

 

Maria Silva Olivi Louzada

 

         No início do texto, a autora deixa claro que as idéias não são originais e que são apenas uma reflexão sobre o que já foi discutido sobre o ensino da língua portuguesa. Em seguida ressalta que a Proposta Curricular para o ensino de Língua Portuguesa é mais que tudo, um “estímulo à reflexão”, ou seja, uma forma de conscientização do papel do professor de português, sua função e sua importância frente à linguagem.

         Em algum sentido não se pode duvidar de que é a escola o ambiente ideal de melhoria lingüística dos educandos. É sua função e responsabilidade levar o indivíduo a adquirir o dialeto social padrão, pois somente com o aprendizado da normal culta é que ele terá acesso à cultura e tradição de uma sociedade letrada. Essa norma deve ser entendida como privilégio lingüístico de uma minoria social.

         O aluno que freqüenta a escola hoje, definitivamente não pratica esse dialeto como sua língua materna, e para tanto terá dificuldade de incorporá-lo à sua prática cotidiana de linguagem tanto na leitura, quanto na escrita e na própria fala. É inadequado o público para o qual se tenta ensinar a língua padrão como único modo de comunicação, antes de tudo é preciso respeitar as variantes lingüísticas e aponta-las também como forma de interação.

         Quando a escola corrige o aluno, dizendo que o que ele fala ou escreve está errado, está discriminando também seu modo social de vida. “O respeito à fala do aluno é condição primária para atingir o objetivo mais amplo: ensinar tudo a todos” (p. 14). A aquisição da forma padrão da língua portuguesa começa a partir da interação, da mesma maneira que o aluno aprendeu a falar seu próprio dialeto.

         De acordo com Louzada, qualquer criança que chega na escola já traz consigo uma bagagem lingüística ampla, apreendida no seu meio familiar e comunitário. “Recuperar a fala do indivíduo, seu poder de expressão verbal é condição fundamental para o processo ensino-aprendizagem ser bem sucedido” (p. 16).

Na alfabetização os professores começam a despertar na criança o seguimento às convenções, sem deixar de esclarecer que a modalidade padrão não é a única alternativa em que a linguagem pode se manifestar. É necessário compreender a relação entre as diferentes linguagens e as diferentes atividades e propósitos sociais.

O professor também deve se desprover do único detentor de conhecimentos e passar a interagir com os alunos em seu próprio dialeto. “Enquanto o professor se colocar na posição privilegiada do que sabe e tem para doar e informar, e o aluno na de quem recebe e se cala, não será possível ensinar e aprender com sucesso” (p. 19).

A autora conclui enfatizando que qualquer pessoa que fala utiliza regras, mesmo que não sejam as regras da linguagem formal e padrão. A escola tem por função aprimorar os conhecimentos trazidos, já adquiridos pelos alunos; aproveitando os mesmos para levar o aluno na execução de tarefas cada vez mais complexas, tanto na leitura, como na fala e na escrita.

A INEVITÁVEL TRAVESSIA

Da prescrição gramatical à educação lingüística

 

         O texto, de autoria de Marcos Bagno começa expondo a problemática das diversas teorias lingüísticas e o emprego e uso da língua portuguesa nas escolas, bem como sua função; desenhando uma linha histórica de surgimento e origem da língua desde os tempos da gramática clássica até a sua roupagem atual.

É verdade que a institucionalização da língua portuguesa nos espaços que se propõem a tanto, é vista como a correção de hábitos e vícios de linguagens que, apesar de corriqueiros e regionais são tidos como erros gramaticais. O ensino do português passa a ser visto dessa forma, como uma maneira de regulamento lingüístico.

No século XXI, estudos têm sido feitos com relação a tal disciplina, tendo em vista não só seus aspectos de construção (sintaxe, morfologia, fonética) como seu meio de expansão e envolvimento com o todo sócio-cultural. O processo de aquisição da linguagem, como ela se dá e porquê, a relação da infância com a cultural são pontos que tem sido levantados.

A relação primordial da criança com a família é que leva à aprendizagem da língua materna, depois disso, ela é inserida num contexto diversificado da escola, onde estão envolvidos o ensino formal da língua, o controle exercido pelo discurso de poder veiculadas pelas diversas ideologias etc.

A cobrança pela perpetuação da língua em sua norma padrão vem atravessando momentos onde ocorrem mudanças estruturais na fala e na escrita, mas que não são levadas em consideração pelos doutos do saber. O autor compara até mesmo essa questão da linguagem com o mesmo aspecto de uma manutenção religiosa.

O ensaio de Marcos Bagno se propõe a responder que objetivos são buscados com o ensino da língua na escola, e para tanto especifica diferentes concepções da mesma. A primeira delas como sendo a linguagem inata e interior ao homem, portanto transcendental ao mesmo, primeira, imutável e de teor corretivo.

Com a pedagogia tradicional, a criança concebida como tabula rasa, é mergulhada no processo de ser posterior à linguagem e sendo assim submetida à ela, suas normas e regras. Em contrapartida é preciso deslocar a língua do plano abstrato para o concreto, trazendo-a para dentro do contexto histórico e cultural local.

Segundo o texto, considerar a língua como atividade social seria entender o emprego de quem fala e de quem escreve em determinado momento histórico e de acordo com sua função social. É por isso que ele apresenta a língua como sendo “um sistema variável, indeterminado e não fixo” (p. 24).

A concepção reducionista da pedagogia tradicional, que transforma a língua em norma culta e esta em gramática; se opõe a idéia de que a linguagem é uma ferramenta e por isso mesmo recriada por novos usuários dela. Essa abstração é causa do distanciamento das regras teóricas gramaticais das verdadeiras práticas e variações lingüísticas.

A tentativa de impor o modo ‘ideal’ de linguagem, que é dada pelos detentores do poder, causa ainda maior exclusão social dos que, por serem das camadas baixa da sociedade, não tem o mesmo acesso ao conhecimento e a cultura. “A Gramática Tradicional é um construto intelectual que até hoje preserva uma ideologia feudal, aristocrática, anticientífica, autoritária, dogmática e inquisitorial” (p. 30).

Para concluir é preciso por uma idéia do autor: “os processos de mudança e variação das línguas vivas são incessantes e ininterruptos” (p. 31). O que significa dizer que no século XXI novas influências tem tornado a língua mais dinâmica como a internet e a televisão, por exemplo. O espaço entre o que é tradicionalmente permitido e o que se expressa hoje nos meios de comunicação da mídia tem enlarguecido consideravelmente.

Introdução

 

         Este ensaio visa compreender as relações existentes entre a abordagem materialista histórico-dialética e os tipos de pesquisa categorizados na classificação de Isaac e Michael: histórica, correlacional e causa-comparação. Tem como intenção estabelecer um resgate deste tipo de abordagem para o campo educacional, visando relacioná-la a três tipos de pesquisa diferentes que podem ser utilizadas para compor a pesquisação.

O materialismo histórico dialético

 

O marxismo e sua origem no materialismo filosófico:

         Fundado por Marx em 1840 e seguida por Engels e Lênin posteriormente, a doutrina marxista teve grande repercussão em sua época devido a seu forte embasamento político, revolucionando assim o pensamento filosófico.

O marxismo tem origem no materialismo filosófico, que encontra suas raízes nas culturas dos povos orientais antigos (chineses, egípcios, babilônios) tendo como idéia principal a concepção materialista de mundo.

Na idéia materialista, a matéria é o princípio primordial, e o espírito o aspecto secundário; a consciência é produto da existência da matéria e permite que o mundo seja nela reconhecível.

Com a Idade Média, o materialismo filosófico ficou com seu desenvolvimento comprometido, porém, o progresso científico alcançado com a Renascença permitiu a Marx e Engels construírem as bases do materialismo histórico dialético.

 

O materialismo dialético:

       Como base filosófica do marxismo, o materialismo dialético apresenta por função a tentativa da busca de explicações coerentes, lógicas e racionais para os fenômenos naturais, sociais e psicológicos. Constitui-se em uma concepção científica da realidade, enriquecida com a prática social da humanidade, aspecto que compõe, juntamente com a matéria e a consciência, as bases para os princípios desta doutrina. Além disso, é aspirante em ser a teoria orientadora para a revolução do proletariado.

         A concepção filosófica aqui é modificada. De saber específico e limitado a determinado setor do conhecimento, o pensamento filosófico recebe uma nova configuração e torna-se essencialmente o estudo das leis gerais que regem a natureza, a sociedade e o pensamento, e como a realidade objetiva reflete na consciência humana. A realidade ganha um enfoque dialético, proporcionado pela idéia de transformação da matéria e passagem das formas inferiores às superiores.

         A prática social é vista por alguns autores como umas das idéias mais originais e um dos princípios mais importantes desta abordagem. Tida como critério de verdade, a prática social é estabelecida como uma evolução histórica da sociedade, o que coloca em relevo a conexão entre o relativo e o absoluto. As verdades científicas se tornam limitadas pela história, passando a significar graus do conhecimento; o que não restringe o homem à incapacidade de conhecer a verdade.

 

O materialismo histórico:

       O materialismo histórico constitui a ciência filosófica do marxismo. Estuda as leis sociológicas que caracterizam a vida em sociedade, a evolução histórica e as práticas sociais do homem, no decorrer do desenvolvimento da humanidade. Busca nas relações sócio-econômicas e nas relações produtivas os verdadeiros fundamentos constituintes da sociedade. Essa é sua principal característica: o materialismo histórico ressalta e se baseia na força das idéias, capaz de produzir mudanças nas bases econômicas da sociedade.

         Alguns conceitos são bem esclarecidos pelo materialismo histórico: as idéias de ser social, consciência social e psicologia social das classes; os meios de produção, as forças de produção, as relações de produção e os modos de produção. Todos tidos como componentes primordiais na questão da transformação social das classes e da organização econômica da sociedade.

A concepção materialista:

       A concepção materialista é composta por três aspectos principais. A questão da materialidade do mundo - que caracteriza os fenômenos, objetos e processos que se realizam como matéria (isto é, toda a realidade é material, apresenta apenas diferentes configurações da matéria em movimento); a questão da consciência enquanto reflexo da matéria; e a questão do reconhecimento do mundo, processo capaz de se realizar devido à materialização e desenvolvimento histórico do homem.

         Outro aspecto que é bastante interessante destacar é a mudança de concepção frente a dialética. Tida antes, para os gregos antigos, como a arte da discussão à base de perguntas e respostas; a dialética começa a seguir a idéia da mutabilidade dos conceitos do mundo e da transformação de toda propriedade em seu contrário. Tudo, o mundo da natureza, da história, e do espírito, é concebido como um processo em constante movimento, mudança, transformação e desenvolvimento.

         O conhecimento para a teoria dialética materialista compõe a dimensão gnosiológica, a partir do momento em que esta abordagem estuda o conhecimento e suas representações como expressões históricas. As definições do materialismo histórico dialético refletem as formas do movimento e as conexões que se estabelecem nesta teoria. Para Engels ela tratava-se da “ciência das leis gerais do movimento e desenvolvimento da natureza, da sociedade humana e do pensamento”, para Lênin ela representava “a doutrina do desenvolvimento na sua forma mais completa, mais profunda e mais isenta de unilateralidade, a doutrina da relatividade do conhecimento humano, que nos dá um reflexo da matéria em eterno desenvolvimento”.

 

As características do paradigma materialista histórico dialético:

       A partir dos conceitos explicitados acima, podemos identificar as bases para uma abordagem de pesquisação onde se queiram entender os processos geradores de determinado fenômeno. A abordagem marxista busca as regularidades a partir de categorias explicativas: a matéria, a consciência e a prática social. Tidos como em constante processo de desenvolvimento, essas categorias são os princípios fundamentais de onde se pode compreender o homem como ser histórico e social.

         Esse tipo de abordagem reconhece os aspectos ideológicos e filosóficos do fenômeno, dando-lhes uma nova roupagem, no sentido de buscarem a todo o momento explicações para tais fenômenos, suas constantes transformações e o entendimento do seu funcionamento. A concreticidade e historicidade fazem parte dessa abordagem, e da relação do homem como sujeito-objeto da pesquisação.

         Corresponde a esta abordagem, a crítica em relação ao funcionamento da sociedade, visando, a partir dos conhecimentos adquiridos, uma mudança no nível sócio-estrutural.

         O pesquisador que segue uma linha teórica baseada no materialismo histórico dialético deve ter presente em seu estudo uma concepção dialética da realidade natural, social e do pensamento; e a materialidade dos fenômenos que está se propondo a conhecer. O seu objetivo é demonstrar que existe uma realidade objetiva fora da consciência, e que, portanto, para o marxismo, a consciência como produto da matéria é o elemento secundário, enquanto que a matéria é o elemento primeiro.

         Em uma investigação no campo social e especificamente educacional, deve-se ter clara a idéia dos conceitos capitais do materialismo histórico dialético, que agem como formadores da estrutura sócio-econômica da sociedade.

Tipos de Pesquisa

 

  1. Pesquisa histórica:

Esse tipo de pesquisa tem por função reconstruir sistematicamente o passado, verificando evidências e estabelecendo conclusões. Sua contribuição configura-se na compreensão do presente a partir do conhecimento do passado, e ainda na preparação do homem com a capacidade de prever o que poderá ocorrer no futuro. Seu foco pode ser a vida de um único indivíduo, um grupo social, uma instituição ou um movimento histórico, porém nenhum destes pode ser pesquisado isolado do contexto social do qual fizeram parte. Busca-se o sentido, o significado histórico para determinado fenômeno e para tanto deve ser levado em consideração o contexto social a que pertenceu cada um dos possíveis objetos de pesquisa que foram acima mencionados. A metodologia deste tipo de pesquisa, descrito por Isaac e Michael, é centrada nos registros escritos dos fatos, que podem ser provenientes de fontes primárias ou secundárias. A técnica principal usada por esse tipo de pesquisa é a análise documentária de livros, textos etc utilizando-se da análise do discurso, onde procura descobrir, entender e interpretar o que aconteceu no momento histórico pesquisado e quais foram as modificações sofridas no decurso do tempo, para avaliar a relação existente entre os acontecimentos como uma seqüência significativa. Segundo Isaac e Michael “a pesquisa histórica consiste em coletar, avaliar, verificar e sintetizar evidências para estabelecer fatos e obter conclusões em relação a uma hipótese. A pesquisa histórica visa produzir um registro fiel do passado e contribuir para a solução de problemas atuais”.

     Sua relação com a abordagem materialista histórico dialética é que esse tipo de pesquisa traz uma investigação profunda do passado e remete a uma construção fiel dos fatos para que se possa compreender e solucionar problemas atuais. Na abordagem criada por Marx, a busca era permanente para vislumbrar os fenômenos naturais, sociais e do pensamento, de modo a que se pudesse entender seu funcionamento, sua evolução, desenvolvimento, e se pudesse promover, assim, a sua transformação.

 

  1. Pesquisa correlacional:

A pesquisa correlacional busca estabelecer uma relação entre fatos que aparentemente não apresentam algum envolvimento entre si, mas que podem estar associados. Aqui poderíamos procurar estabelecer uma relação entre o sistema econômico vigente e as precárias condições e regimentos educacionais como conseqüências da promoção da alienação e da ideologia dominante.

 

  1. Pesquisa causa-comparação:

Tem como objetivo investigar as possíveis relações entre fatores, onde um possa ser a causa e o outro o efeito decorrente do primeiro. Sua principal característica constitui-se no fato de que a coleta dos dados do evento é feita somente após a sua ocorrência. No caso da relação estabelecida entre o modelo econômico e a educação para manutenção da classe dominante no poder, poderia estar sendo estudado qual o fator é causa e qual é o efeito da relação. Pode-se questionar se são as mudanças nas teorias educacionais e conseqüente ensino nas escolas que promovem a mudança na sociedade, ou se são os vários constituintes sociais que formulam a educação para que a permanência da minoria no poder coexista de forma inquestionável.

         Uma pesquisa de acordo com a abordagem materialista, independentemente do tipo de investigação que se queria aprofundar, deve seguir um procedimento básico para uma total apreciação do fenômeno: a contemplação viva do fenômeno (sensações percepções e representações), que é a primeira parte do estudo; sua análise em seguida, e por fim a realidade concreta do fenômeno. O último aspecto, depois de definidos o problema e as hipóteses, poderá constituir-se na conclusão da pesquisa, onde o pesquisador percebe que algumas hipóteses foram confirmadas, porém há a necessidade de estabelecer outras para a finalização do seu trabalho.

Conclusão

 

         O objetivo deste estudo foi o de mostrar os diferentes tipos de pesquisa que podemos ter no campo educacional, a partir da abordagem materialista histórico dialética. Sendo assim, romper com o modo de pensar dominante ou com a ideologia dominante torna-se condição necessária para se instaurar um método dialético de investigação, considerando a dialética materialista histórica enquanto método de análise. Essa abordagem tem por função ajudar a responder o seguinte questionamento: como se produz concretamente determinado fenômeno social?

Pensando no campo educacional, a crítica e o conhecimento crítico são necessários para que se possa alterar uma prática, transformando a realidade anterior. A abordagem materialista, através do plano histórico social, sustenta a idéia de que o conhecimento é efetuado na e pela práxis - junção da teoria com a prática - sendo, portanto, o conhecimento um dos pontos fundamentais de tal abordagem, que valoriza uma reflexão teórica sobre os fatos e uma reflexão em função da ação de transformar a realidade.

A preocupação fundamental é refletir, pensar, analisar a realidade com o objetivo de transformá-la. O trabalho e as relações sociais de produção formam, na concepção materialista histórico dialética, os modos de produção da existência, o pressuposto pelo conhecimento e o princípio educativo. É traçada, então, a relação entre o modo produtivo e o sistema educativo, e é preciso que se entendam os verdadeiros efeitos dessa relação para que se possa delinear como se daria uma transformação no plano social para que a educação pudesse ser transformada constituindo assim um elemento de conscientização populacional.

 

 

Referências:

FRIGOTO, Gaudêncio. O enfoque da dialética materialista histórica na pesquisa educacional in: Metodologia da pesquisa educacional. São Paulo: Cortez, 1989.

GRESSLER, Lori. Tipos de Pesquisa in: Introdução à pesquisa. São Paulo: Loyola, 2003.

TRIVIÑOS, Augusto. Introdução à pesquisa em ciências sociais A pesquisa qualitativa em educação: - o positivismo - a fenomenologia - o marxismo. São Paulo: Atlas, 1987.

Fundação Clemente Mariani

13 de dezembro

Educação e Movimentos Sociais

 

         No dia 13 de dezembro, na Fundação Clemente Mariani, estive assistindo uma palestra com dois professores mestrandos da UNEB sobre educação e movimentos sociais. A mesa presidida pela professora Ronalda Barreto da Silva foi composta por Leonam da Silva e Maria Helena Teixeira, ambos pesquisadores da área.

         A professora Ronalda iniciou a palestra trazendo alguns pontos importantes sobre a globalização e o neoliberalismo. Já no século XXI a relação do homem com o trabalho tem se modificado, e cabe à educação o novo desafio de formar o cidadão para o não emprego. A empresa empregadora se torna o centro para ascensão social e ao mesmo tempo produz cada vez mais a exclusão social.

Cresce o sistema assalariado como base da organização social e as políticas se modificam de UNIVERSAIS, para todos, pública; passam a ser de INSERÇÃO, ou seja, focalizadas e específicas. O Estado restringe-se a manter somente o básico e a mercantilização dos serviços não garante o acesso a todos. Surge a necessidade de reorganização da sociedade em torno da cidadania.

Formação Humana no Campo – MST

Leonam da Silva

 

No contexto específico do movimento sem terra o professor Leonam traz para a discussão a realidade “sem terra” e a pedagogia para formação do trabalhador rural.

Algo bastante interessante abordado pelo professor foi a crise das metanarrativas, onde a idéia de saber sai do contexto dos saberes cotidianos para as abordagens científicas, o conhecimento apurado, a própria ciência. Isso transforma a concepção do saber em algo fragmentado, o que além de contribuir para a separação da teoria e da prática, influi na divisão dos grupos sociais.

Nesse sentido, o MST passa a possuir uma pedagogia própria, que visa o desenvolvimento do homem no campo, uma educação de luta pela própria terra. Encontra em Paulo Freire um pensador que voltou-se para a realidade dos alunos anulando o currículo fragmentado e instaurando um sistema que girasse em torno de eixos temáticos e das problemáticas vividas pela comunidade.

A abordagem Materialista Histórica Dialética estimula a educação como sendo um instrumento de reflexão e transformação social. Mudança no sistema vigente e quebra dos valores capitais que alienam e tornam invencível a ideologia dominante se tornam essenciais para que se possa fortalecer uma educação pautada na realidade social, nos movimentos sociais e na comunidade como um todo.

Desarticulação Escola X Comunidade no município de Santa luz

Maria Helena Teixeira

 

         Por último tivemos a oportunidade de ouvir a professora Maria Helena que relatou um pouco de sua experiência no município de Santa Luz. Ali a pesquisadora pôde constatar que a realidade não é levada em consideração no momento de construção do PDE e PPP da escola.

         A participação popular se dá através dos Sindicatos Trabalhadores Rurais e da Pedra, mas ainda é pouca. Normalmente se restringe às famílias, e deixa de fora os outros elementos da comunidade. Aqui podemos perceber que o que existe é o planejamento de projetos que visam a prática, e esquecem da reflexão dos estudantes frente a determinados temas e assuntos atuais que fazem parte da sua vivência, cotidiano etc.

 

Conclusão

 

         É preciso realmente que haja uma educação voltada para os movimentos sociais de interesse popular, pois eles fazem parte da reivindicação popular e da história da sociedade. É através deles que podemos almejar mudanças na estrutura organizacional da sociedade, a partir do momento em que seja levada em conta na formação do cidadão sua vivência, experiência, seus interesses e sua realidade. Assim poderemos estar construindo uma sociedade mais justa, uma educação coletiva, embasada e igual para todos.

No dia 6 de dezembro de 05 deu-se por encerrada a II Semana de Software Livre, ocorrida na FACED – UFBA. Neste dia pudemos estar percebendo que tudo o que foi ministrado na disciplina EDC 287 no decorrer do semestre pode ser colocado em prática em prol da comunidade. Foi o que nos mostrou o professor Edemilson Brandão da Universidade de Passo Fundo RS.

         O professor Edemilson esteve participando da mesa redonda que teve como tema: A autoria do professor e Tecnologias, coordenada pela professora Cássia da Silva - da Unitins; juntamente com o professor da FACED, também de Educação e Tecnologias Contemporâneas, Menandro Ramos.

O professor Edemilson, que esteve falando sobre Multimídia e Educação, relatou sobre o compromisso da universidade com a educação e com a comunidade. Na UPF as tecnologias são usadas para fins pedagógicos e práticas cotidianas, ou seja, a universidade trabalha com a realidade da região.

         A universidade com a intenção de servir à comunidade, produz conhecimento. As mídias são utilizadas como instrumentos na construção do saber que será levado a todos da comunidade. Estivemos assistindo experiências com rádio, tv e internet.

         Isso é prova de que tudo o que vimos no decorrer deste semestre na disciplina pode sim ser posto em prática e ajudar a conscientizar a população acerca do conhecimento. Esta disciplina trouxe muitas contribuições para a prática como educadora, e espero que tenha contribuído também para os demais colegas, pois aqui aprendemos a construir o saber juntos!

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